sábado, 26 de abril de 2014
segunda-feira, 21 de abril de 2014
Bobby Jean, daqui
Escutei sim. Sua mesma rouquidão e, por ela, remontei seu rosto, os olhos sem fim, sorriso quebrado e aberto. Sempre um sorriso feito meu, na minha memória, minha casa. Escutei e resolvi escrever para você, mas não sei se isto aqui lhe chega. Não se envia cartas de lugar nenhum. Toda vez em que busco as pequenas coisas que me fazem ser minha, as lembranças de você, venho aqui, como se a repetição do caminho fosse capaz de reerguer nossos castelos, as fortalezas que você construiu para mim. Não senti sua partida além da própria dor de te perder, não senti traição, não estou magoada. Foi como nos criamos, eu, você e nosso amor, como projetos e sonhos que buscam gosto e cheiro.
Sinto saudades sim. Não lamento nossos finais, éramos destinados. De tanta selvageria. Por nossos ardores inesperados, por ter vestido você em mim. Não sabíamos tanto quanto agora, eu acho, o tanto que havíamos feito de nossa carne uma coisa só. Os milagres da gente comum que realizamos sem saber, dois partilhando o mesmo ar, minhas possibilidades de sentidos confundidas com as suas. Então, não sinta dor ou culpa, não sofra. Não se perca. Tive de você o que precisei e não me faltam, nunca faltaram, meus pedaços deixados contigo.
Mas quero dizer da felicidade que tive ao ver você voltar. Ainda que eu não estivesse mais em nosso lugar, meu grande amor. Mas soube, porque sempre fico a saber, e saber foi o suficiente para fazer perdurar minhas cores. Não tenho mais suas roupas ou seus sons, mas agora tenho seu retorno. Eu, que não pertenço a mais nenhum chão, sou mulher-jornada, entendo e vivo pela busca, pelo anseio, e fui presenteada pela sua necessidade de me tornar corpo de novo, em você. Volte sim, quantas vezes quiser, nelas você me irá me ver, ainda que não me perceba. Eu sou isso agora para você, o seu começo, sua terra.
Deixa para trás a angústia do que eu não disse. Como eu deixei cada lugar em que estive. Como cada pele que troquei. Como o tempo em que não amávamos ninguém, nem um ao outro, porque ainda nos sentíamos um só. Foi tudo o que deveria ser. Fomos abrigo e tempestade e em cada novo centro que gravito, deixo lá primeiro o seu nome. Meu grande amor, nosso grande segredo. Minha opção por viver.
E também sinto sua ausência. Boa sorte. Adeus.
Sinto saudades sim. Não lamento nossos finais, éramos destinados. De tanta selvageria. Por nossos ardores inesperados, por ter vestido você em mim. Não sabíamos tanto quanto agora, eu acho, o tanto que havíamos feito de nossa carne uma coisa só. Os milagres da gente comum que realizamos sem saber, dois partilhando o mesmo ar, minhas possibilidades de sentidos confundidas com as suas. Então, não sinta dor ou culpa, não sofra. Não se perca. Tive de você o que precisei e não me faltam, nunca faltaram, meus pedaços deixados contigo.
Mas quero dizer da felicidade que tive ao ver você voltar. Ainda que eu não estivesse mais em nosso lugar, meu grande amor. Mas soube, porque sempre fico a saber, e saber foi o suficiente para fazer perdurar minhas cores. Não tenho mais suas roupas ou seus sons, mas agora tenho seu retorno. Eu, que não pertenço a mais nenhum chão, sou mulher-jornada, entendo e vivo pela busca, pelo anseio, e fui presenteada pela sua necessidade de me tornar corpo de novo, em você. Volte sim, quantas vezes quiser, nelas você me irá me ver, ainda que não me perceba. Eu sou isso agora para você, o seu começo, sua terra.
Deixa para trás a angústia do que eu não disse. Como eu deixei cada lugar em que estive. Como cada pele que troquei. Como o tempo em que não amávamos ninguém, nem um ao outro, porque ainda nos sentíamos um só. Foi tudo o que deveria ser. Fomos abrigo e tempestade e em cada novo centro que gravito, deixo lá primeiro o seu nome. Meu grande amor, nosso grande segredo. Minha opção por viver.
E também sinto sua ausência. Boa sorte. Adeus.
Fabio Luiz, 21/04/2014
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